Que lições Einstein tiraria do Brasil de hoje?

 


Na década de 1920, o renomado físico alemão Albert Einstein fez uma visita ao Brasil com o objetivo de se reunir com o presidente da república e realizar conferências com intelectuais da época. Sua chegada ocorreu em 1925, quando ele já desfrutava do status de celebridade científica, tendo sua teoria da relatividade comprovada em 1919. Após uma exaustiva viagem de mais de 10 mil quilômetros, ele chegou à capital, Rio de Janeiro, onde permaneceu apenas algumas horas antes de seguir viagem rumo a Buenos Aires.

Einstein estava acostumado a viver em grandes centros populacionais da Europa, onde a revolução industrial trazia consigo avanços tecnológicos e muito conforto. A imprensa da época acompanhou de perto a presença do intelectual em nosso país, seguindo-o para todos os lugares. O cientista ficou com a impressão de calor intenso, transpiração e uma escassez de intelectualidade.

Após sua morte, foram encontradas cartas escritas por Einstein para seu melhor amigo, o engenheiro suíço Michele Besso, nas quais ele relatava suas impressões sobre os brasileiros: "As pessoas lá são vazias e pouco interessantes", "Foi uma grande agitação sem interesse verdadeiro [...]" e "Para achar a Europa estimulante, é preciso visitar a América". Uma de suas principais atividades durante sua estadia no Brasil foi uma palestra no Clube de Engenharia, que contou com a presença de militares, políticos e seus respectivos familiares. Crianças chorando e conversas interrompidas fizeram parte desse momento.

Esse debate sobre cultura ainda continua. A visão global das pessoas e de suas nações tem sido moldada por alguns indivíduos, cujas atitudes geram uma postura que é disseminada através das tecnologias. Um dos grupos que tem influência sobre a posição de uma nação são os políticos, cujas ações e conduta parlamentar têm repercussão internacional.

Através de nossos políticos, estamos exibindo para a sociedade internacional atitudes muito semelhantes às que Einstein observou no século XX. A falta de respeito, posicionamentos anárquicos e debates acalorados têm dominado a política nacional.

Direita, esquerda, centro ou suas derivações seguem a lógica do "like", da "live" e do que o algoritmo direciona para sua base de apoio. O debate é superficial e o respeito e amor ao próximo estão em último lugar na lógica parlamentar. Isso é evidente nas CPIs, CPMIs e outras comissões que visam promover as melhores práticas para o país. São feitas perguntas desonrosas, como a que o senador Eduardo Girão fez ao ministro Silvio Almeida, questionando se ele já havia visto um feto humano, e para piorar, o efeito devastador da falta de foco fez com que ele tentasse exibir um pequeno embrião como réplica. Que tipo de legado estamos deixando como nação?

A resposta está enraizada no contexto cultural que Einstein observou no Brasil. Temos pessoas legislando e representando as forças nacionais com pensamentos agressivos e atitudes impulsivas, que não são ponderadas em relação ao bem coletivo. A resposta rápida e a atitude imediata têm mais importância do que a análise de seus impactos. Se Einstein tivesse visitado o Brasil um mês antes de sua chegada, em março, ele teria desfrutado do melhor carnaval do mundo e suas impressões teriam sido diferentes, conforme descrito no Jornal O Paiz em fevereiro de 1925, que elogiava um folião com as palavras: “distingue-se pelas suas maneiras jovines e de uma requintada gentileza”.

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